O que nós da Pastoral sempre batemos na tecla e queremos saber é: está realmente havendo inclusão?

Saíram as notas do Sisu, e ao contrário do que se esperava, já que o tema do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2017 foi “ Desafio para formação de surdos”, a média destes ficou bem abaixo do resto do público que fez a prova. Qual seria o motivo disso? A Diretora do Departamento de Educação básica do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), Amanda Prado, diz que os problemas enfrentados são muitos. Um deles é o sistema que simplesmente esquece que português é a segunda língua de um surdo- a primeira é a Língua Brasileira de sinais (libra). Isso acarreta na falta de entendimento de uma série de palavras, não por culpa deles, mas por realmente não haver uma forma traduzida no vocabulário dos portadores desse tipo de necessidade especial. Peças, novelas, piadas ou até mesmo virais da internet, não são pensados para serem compartilhados socialmente com esse tipo de público. Ou seja, já há a exclusão deles em parte da nossa cultura, por isso também, que a assimilação de certos aspectos será diferenciada.

Não obstante, há também a falta de colégios, de corpo docente qualificado para atendê-los e até mesmo de uma matéria nas escolas que ensine as crianças a se comunicarem por meio das libras. Um surdo geralmente só consegue externar o que está dizendo com amigos mais próximos ou familiares, mas as chances desse deficiente conseguir ser entendido por qualquer outra pessoa dentro de sua comunidade, é pequena. Ademais, os textos feitos por portadores dessa adversidade, mediante os inúmeros problemas, alguns deles já citados, deveriam ter suas provas corrigidas de forma diferenciada, já que apresentam uma desvantagem perante outros participantes. Somos 9,7 milhões de surdos nesse país, e Libras já foi reconhecida como língua oficial, chegou a hora de ser dada a devida importância para essas pessoas. Vamos torcer para que essa situação mude logo, para enfim podermos ter um país mais igualitário.

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