O Pluralismo Cultural significa o respeito na convivência mútua de características culturais pertencentes a diferentes grupos sociais, ou seja, repudia atitudes discriminatórias. A falta de informação e um passado de Brasil colônia, ainda sustentado pelos estereótipos, fazem com que o outro seja visto como inimigo e torna ainda mais difícil a consideração com o próximo.

Mesmo no século XXI, ainda é uma árdua tarefa desmistificar certos preconceitos que rondam as culturas, religiões, etnias… e que muitas vezes, acabam sendo reiterados pelo meios de comunicação de massa. Através de imagens e notícias ainda podemos ver um discurso padrão, que ficou enraizado em nossas cabeças.

O Padre José Abel, diretor da Pastoral Universitária, conta para nós um pouco sobre esse assunto.

Qual a definição de Pluralismo Cultural?

Pluralismo Cultural é o contrário de singularidade, claro. No nosso caso, queremos trabalhar com várias culturas, mas cultura universitária é o principal aqui, só que dentro dessa temos inúmeras outras. Nós priorizamos o recorte da diversidade religiosa, uma vez que, religião também é cultura.

Por que você acha que ainda existe tanto preconceito com culturas diferentes?

Preconceito vai, ao meu ver, na mesma linha da intolerância. O próprio nome já nos ajuda; Pré-conceito. Um conceito prévio que advém do desconhecimento, daquilo que a gente resiste, no fundo, vem da falta de diálogo. Só ele é o caminho para superarmos atitudes de preconceito, e isso vale para religião e realidades quaisquer que sejam.


Qual a melhor linha de ação para combater o preconceito e promover o respeito pela diversidade cultural?

Exatamente isso. A palavra respeito e diálogo são as chaves. Eu costumo dizer que prioritariamente na questão religiosa, nós temos a intolerância religiosa, fundamentalismo… e aquela pessoa que diz “Não tolero aquele que é diferente de mim”. Gera-se então o passo seguinte, que seria a tolerância. Mas não é isso que queremos, porque a tolerância pressupõe uma superioridade de quem tolera o outro, então não está no nível que desejamos, que seria o diálogo e respeito.

De que forma é possível dialogar com todos os estudantes de uma Universidade plural como a PUC? É o nosso desafio. Eu creio que o primeiro passo para dialogar com todos, é colocando-se na função de dialogar mesmo, em posição de igualdade, não de superioridade. Colocamos pautas comuns, como: superação da desigualdade, de consciência social, defesa da dignidade da pessoa humana… a partir de valores e princípios cristãos. E é possível fazer isso até mesmo com quem não segue essa religião. Há o fator humano também, a humanidade em si, o desejo por uma vida ética, o compromisso com um mundo melhor, a promoção da paz…Isso nos uni independente do curso, orientação sexual ou até mesmo crença religiosa. “Amar ao próximo como a ti mesmo”

Podemos dizer que Jesus foi um dos maiores defensores ao respeito à pluralidade cultural?
Sim. Amar o outro como a ti mesmo, fazer a regra de ouro que temos na passagem de (Matheus 7,12), que fala não apenas de não fazer ao outro o mal que não quero que façam a mim, mas de tomar a inciativa de fazer ao outro, aquele bem que eu gostaria que fizessem a mim. Esse é um dos tantos pontos possíveis para dizer que Jesus transcende, e eu digo transcender no sentido de ir além. Jesus é defensor da dignidade humana e dos Direitos Humanos, graças também à sua vivência ética e a sua doação. Amor aí significa doação, não estamos falando de amor amizade. No caso, estou falando de um amor que se doa, um amor em que você dá um pouco de si ao outro, na linha da alteridade. É você sair de si em prol de que haja uma construção de paz, e de troca realmente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *